País estranho
Nessa semana os noticiários vêm divulgando com ampla euforia a fusão de 2 empresas gigantes no ramo de alimentação: Sadia e Perdigão. A cobertura enorme da mídia remete a uma questão bem mais profunda: pergunto-me, a despeito de se tratar de algo relevante (afinal são 2 grandes empresas), o quanto de interesse efetivo há na notícia e o quanto há nesse caso da mídia, uma espécie de investimento a longo prazo. Explico. Natural que o nascimento desse novo gigante irá criar uma enorme disputa pelas verbas de publicidade. Assim, não custa nada criar de um fato porque não dizer notável, algo ainda mais espetacular. Além disso, após todo o estardalhaço, somos informados nas entrelinhas que o acordo já existente de fato, ainda não existe de direito, uma vez que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência) ainda terá de aprova-lo. Como assim ? Então ao que parece, quem aprova é o último a saber e o último a aprovar ? Não é estranho ? Qual seria, após toda a divulgação e todo impacto econômico causado nas Bolsas, a possibilidade de uma negativa do CADE ao acordo ? Claro que nenhuma. Estará nesse caso somente "cumprindo tabela". Não estou dizendo que o acordo não deveria ter sido selado. Nem sequer tenho competência para analisá-lo. Mas é muito esquisito que um organismo regulador e nesse caso, aprovador, apareça somente no final de um processo que já está consolidado. E tem gente que ainda acredita nesse País.
Escrito por Randal às 08h52
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